O pau que dá em chico dá em Francisco...

QUAIS PRIVATIZAÇÕES DERAM CERTO NO BRASIL?

 


As privatizações ganharam força no Brasil a partir da década de 1990, especialmente entre 1990 e 2001. Nesse período, o governo federal transferiu o controle de mais de 100 estatais para a iniciativa privada, além de reduzir suas participações em várias outras empresas. Segundo um levantamento do UOL, o Brasil arrecadou mais de US$ 70 bilhões com essas desestatizações. Mas quantas estatais ainda existem no país? E quais privatizações foram consideradas bem-sucedidas? Vamos entender.

Atualmente, o governo brasileiro controla 138 estatais, número que sobe para cerca de 400 se incluirmos as empresas estaduais e municipais. Em um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Brasil ocupa a 4ª posição entre os países da OCDE com o maior número de estatais, atrás apenas da Índia, Hungria e China.

Das 138 estatais da União, 18 são consideradas dependentes do governo, ou seja, não geram lucro suficiente para cobrir suas despesas e, por isso, precisam de recursos públicos para se manter. Só em 2019, o Ministério da Economia transferiu R$ 17,5 bilhões para essas empresas, apenas para o pagamento de dívidas.

CASOS DE SUCESSO DAS PRIVATIZAÇÕES NO BRASIL

VALE

A Vale, uma das maiores exportadoras de minério de ferro do mundo, foi privatizada em 1997. A operação foi fechada por US$ 3,3 bilhões e liderada pelo consórcio Brasil, formado pela CSN e pelo fundo de pensão Previ. Com a privatização, a Vale ganhou mais modernidade e eficiência, expandindo sua atuação no mercado internacional. O número de colaboradores passou de 11 mil para mais de 52 mil.

De acordo com um estudo da PUC, entre 2003 e 2010, a produção de minério de ferro da Vale aumentou em 70%, e o valor das ações da companhia disparou. Entre 1997 e 2011, a Vale teve um retorno nominal em dólar superior a 3.000%.

EMBRATEL E TELEBRÁS

A privatização do setor de telecomunicações, incluindo a Embratel e a Telebrás, também é vista como um marco positivo. Antes da privatização, em 1998, o Brasil tinha cerca de 22 milhões de linhas telefônicas, e o acesso a uma linha fixa custava cerca de US$ 1.000, além de exigir entre 1 a 2 anos para instalação. Após a privatização, o acesso ao telefone se expandiu rapidamente, com um crescimento de quase 20 milhões de novas linhas por ano.

Hoje, o Brasil tem mais de 242 milhões de smartphones, segundo dados da FGV, o que indica que há mais celulares do que habitantes. Além disso, o investimento no setor de telecomunicações passou de R$ 2,4 bilhões anuais (antes da privatização) para mais de R$ 16 bilhões ao ano. Entre 1998 e 2000, foram criadas mais de 10 mil vagas de trabalho no setor.

O POTENCIAL DAS PRIVATIZAÇÕES PARA A ECONOMIA

A venda de estatais pode gerar recursos significativos para o governo, reduzindo o custo do setor público e permitindo um maior investimento em áreas essenciais. Um estudo da Secretaria do Tesouro Nacional de 2017 mostrou que, nos últimos cinco anos, as estatais geraram mais despesas do que retornos financeiros, com um custo acumulado superior a US$ 190 bilhões.

Os recursos obtidos com privatizações poderiam ser usados, por exemplo, para financiar um Programa de Renda Mínima, contribuindo para reduzir o número de brasileiros em situação de insegurança alimentar — atualmente estimado em mais de 33 milhões de pessoas.

Esses são alguns exemplos de como as privatizações podem funcionar positivamente, trazendo inovação, crescimento e novos investimentos ao país.

SPTrans pode ser extinta em 2025: Ricardo Nunes planeja grandes mudanças no transporte público de São Paulo.

 

Marcos Antonio Coutinho & Pref. Ricardo Nunes.
São Paulo enfrenta uma possível revolução em seu sistema de transporte público. 

O prefeito reeleito Ricardo Nunes (MDB) está considerando a extinção da SPTrans, empresa pública criada em 1995 para gerir o transporte coletivo e o Bilhete Único da cidade. Esse movimento integra uma série de reformas estratégicas que Nunes planeja implementar no próximo ano, visando uma administração mais enxuta e com maior participação do setor privado.

 

A SPTrans, que atualmente está subordinada à Secretaria de Mobilidade e Trânsito, é responsável pela operação e planejamento das linhas de ônibus da capital paulista. Sob a administração do secretário Celso Gonçalves Barbosa, a empresa gerenciou o serviço, incluindo o controle direto de operadoras como UPBus e Transwolff, após investigações que revelaram vínculos com organizações criminosas. Desde a intervenção, as reclamações contra a Transwolff diminuíram, mas as insatisfações com a UPBus aumentaram, revelando desafios que a SPTrans ainda enfrenta.

 

*Nova Estrutura de Concessões: Controle à SP Regula*

 

Caso a SPTrans seja extinta, o controle das concessões de ônibus será transferido para a SP Regula, agência criada pelo ex-prefeito Bruno Covas, que já administra contratos públicos em áreas como coleta de lixo, iluminação urbana e cemitérios. Esse reordenamento permitiria uma gestão mais integrada e alinhada com as demais concessões da cidade, uma vez que o serviço de transporte coletivo é majoritariamente operado por empresas privadas. A Secretaria de Mobilidade e Trânsito assumiria as funções de planejamento, enquanto a SP Regula concentraria os contratos.

 

A mudança seria uma continuidade de reformas que começaram com Covas, quando extinguiu órgãos como o Serviço Funerário e a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). Com Nunes, a SP Regula ampliaria seu escopo de atuação, incorporando o transporte público ao seu portfólio de concessões.

 

*Reformas Estruturais: Extinção de Empresas e Parcerias Privadas*

 

Além da SPTrans, Nunes estuda a fusão de outras duas importantes empresas públicas: SP Obras e SP Urbanismo. Essa integração resgataria a estrutura original da antiga Emurb, extinta em 2009, e possibilitaria uma gestão mais coordenada nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento urbano. Ambas as empresas, atualmente vinculadas a secretarias diferentes, poderiam reforçar o foco em projetos de infraestrutura e urbanização, alinhados às prioridades da cidade.

 

Nunes também busca expandir as parcerias com a iniciativa privada no setor educacional. Inspirado pelo modelo de convênios adotado nas creches, o prefeito quer estender essa colaboração para o ensino fundamental, como já ocorre com o Liceu Coração de Jesus, que, em 2023, recebeu 500 alunos da rede municipal. Esse novo modelo, segundo fontes próximas ao prefeito, seria ampliado para outras instituições, caso os resultados de desempenho sejam positivos.

 

*Reorganização Política e Novos Nomes no Secretariado*

 

Com o apoio de 12 partidos que formaram sua base de campanha, Nunes prepara um novo secretariado para acomodar aliados e responder às demandas do eleitorado. Fontes próximas indicam que alguns secretários que se candidataram a outros cargos e não foram eleitos devem ficar de fora da nova gestão, incluindo nomes de destaque como os ex-secretários Elza Paulina (Segurança Urbana), Aline Torres (Cultura) e Carlos Bezerra Jr (Assistência e Desenvolvimento Social).

 

Por outro lado, figuras estratégicas da administração, como Edson Aparecido (Secretário de Governo) e Fabrício Cobra (Casa Civil), devem manter suas posições. Já o vice-prefeito eleito, coronel Mello Araújo, pode assumir um papel central na coordenação de pastas estratégicas, sem ocupar um cargo fixo, o que fortalece o alinhamento entre secretarias e facilita a execução das novas diretrizes.

 

*Novo Modelo de Gestão: Eficiência e Participação Privada*

 

Com a possível extinção da SPTrans e outras mudanças na administração pública, Nunes busca estruturar um governo mais eficiente e adaptado aos desafios de uma cidade global como São Paulo. As parcerias com a iniciativa privada são um dos pontos fortes da nova gestão, visto como solução para garantir qualidade no atendimento à população em setores essenciais, como transporte e educação.

 

No centro dessas mudanças, o prefeito espera consolidar um modelo de governança mais ágil, com cortes de gastos, reestruturação de secretarias e maior foco em resultados. Nos bastidores, analistas avaliam que as decisões de Nunes podem alterar de maneira definitiva a administração pública de São Paulo e a forma como os serviços essenciais são prestados à população.

 

Essas reformas desenham o caminho para uma São Paulo renovada, onde as iniciativas privadas ganham força e o modelo de gestão passa a ser cada vez mais focado em eficiência. Resta saber se os impactos prometidos de fato se refletirão no dia a dia dos paulistanos e se Nunes conseguirá superar as resistências políticas que surgirão ao longo do caminho.

 

Marcos Antonio Coutinho

Jornalista & Radialista

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