Centrão discute reforma que não
reeleja Bolsonaro, diz Paulinho da Força
Para o deputado federal, caso economia
com mudanças na Previdência seja de R$ 800 bilhões, presidente terá muito
dinheiro para gastar e será favorecido.

Líder da Força Sindical e
deputado federal, Paulinho da Força (SD-SP) afirmou nesta quarta-feira, 1º, que
os partidos que se reúnem no chamado “Centrão” discutem o apoio a uma reforma
da Previdência que não “garanta” a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em
2022.
A lógica de Paulinho é a de que a
proposta do governo deve ser desidratada, isto é, gastos sejam mantidos e não
retirados, para que a economia seja menor e o presidente não tenha tanto
dinheiro excedente para investir. Assim, a disputa eleitoral não seria
desequilibrada a favor de Bolsonaro. O texto da equipe do ministro da Economia,
Paulo Guedes, previa inicialmente uma economia 1,1 trilhão de reais em dez
anos. Jair Bolsonaro já declarou que o valor mínimo deve ser de 800 bilhões de
reais. “Oitocentos bilhões garantem, de
cara, e reeleição dele. Se dermos 800 [bilhões de reais] como disse ele,
significa que nos últimos três anos dele [Bolsonaro, na Presidência], há 240
bilhões ao ano para gastar. Eu acho que temos de ter [economia] em torno de 500
bilhões. Seiscentos bilhões seria o limite para essa reforma”, defendeu o
deputado, durante evento das centrais sindicais para o Dia do Trabalho, em São
Paulo.
Segundo Paulinho da Força, uma
reforma desidratada garante a chance de outros partidos disputarem o Palácio do
Planalto em 2022. “Com esse discurso, tenho certeza que a gente traz todo mundo
do Centrão, porque ninguém quer a reeleição de Bolsonaro”, afirmou o deputado.
Depois, Paulinho contemporizou o
tom de sua fala e declarou que os opositores da reforma, entre os quais ele
está incluído, não têm força para barrar a proposta, mas que o texto aprovado
será mais “justo” que o do governo e “o trabalhador sairá ganhando”. “Se não
temos força para parar a reforma, eu acho que as ruas nos darão força de
negociação para fazer uma reforma justa, na qual o trabalhador sairá ganhando.
É possível passar uma reforma da Previdência, mas que mantenha os direitos e
combata os privilégios”, emendou.
As declarações de Paulinho da
Força sobre a economia da reforma da Previdência e as eleições de 2022 foram
criticadas pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia,
Rogério Marinho. “Esse é o momento de todos pensarem no Brasil e nas próximas
gerações e menos nas próximas eleições”, escreveu Marinho em sua conta no
Twitter.
(com Estadão Conteúdo)